Madrugada de quarta para quinta, eu deveria estar 07:40 da manhã em frente ao nono batalhão de infantaria motorizada para tentar, sem sucesso, fugir de minhas “obrigações democráticas”. Mas minha paixão pelo cinema era mais forte, e estava para começar um tal de violência gratuita, um filme cujo a sinopse do guia de programação me agradou muito. Às 7:40 da manhã, lá estava eu e mas 121 colegas recrutas em forma em frente ao quartel, eu estava morrendo de sono e me sentindo um idiota, pois havia perdido tempo assistindo uma bela de uma porcaria, tempo esse que seria muito melhor aproveitado se eu dormisse.
E passaram-se meia hora de filme, depois de cenas arrastadíssimas, finalmente parece que o filme vai valer a pena, mas não vai, o filme se desenvolve num ritmo lentíssimo. O diretor mal movimenta a câmera, varias vezes me contorci inconscientemente na poltrona tentando enxergar os atores que haviam fugido da câmera, por exemplo, a cena em que Ann tenta se levantar estando amarrada, deve durar uns cinco minutos, ou a sequencia do celular, em dado momento George vira pra Ann e fala, vamos desistir estamos perdendo tempo, bota perder tempo nisso, uns dez minutos de uma cena completamente inútil. Existem também inúmeros takes onde a câmera fixa em algum objeto ou paisagem e não acontece nada por longos minutos.
O diretor também teve a idéia de jerico de que seria muito legal se os antagonistas interagirem com o espectador, em vários momentos, do nada Paul virá para a câmera e fala conosco, momentos como esse quebram a tensão e nos lembra de que estamos assistindo um filme. Os vilões também herdaram os típicos poderes dos assassinos destes tipos de filmes, sempre estão um passo a frente do mocinho, e quando não estão sempre há um controle remoto próximo...
E agora dedico esse parágrafo para falar especialmente da famosa cena do controle remoto, lá na frente do filme, quando George(filho), já está morto, e George(pai) já está quase morto, Ann consegue pegar um rifle e matar Peter, Paul imobiliza a moça, pega o controle remoto da televisão e volta a cena(!!!) e impede Ann de fazer o que fez(WTF???), do nada, sem avisos, sem mais nem menos. Pior que li inúmeros elogios a esta cena ridícula aff...
A direção é um lixo, o trabalho de câmera idem, o roteiro não presta, não sobra muita culpa para o elenco, Naomi fez sua parte, tentou conduzir suas cenas com uma boa dose de drama. Tim Roth não tem muito a fazer. O moleque eu achei fraco, não me transmitiu muita emoção. A dupla de vilões Michael Pitt e Brady Corbet parecem ter assistido laranja mecânica algumas vezes antes de fazerem o filme, mas não ficam aos pés de Alex(xD),estão mais para dois emos revoltados, eu não teria medo deles, mesmo, são fracos e bonitinhos demais, as vezes até é legal fugir um pouco do estereótipo do vilão de Hollywood, mas eles são franzinos demais, se eu estivesse lá, correria eles no tapa.
Então é basicamente isso, se você finge entender de cinema só para parecer Cult provavelmente vai adorar esse “Violência Gratuita”, se você é do tipo que ficou chocado com o caso Nardoni, Violência Gratuita vai parecer um filme brutal. Mas se você é um verdadeiro fã de cinema, e já viu filmes como Cannibal Holocaust, Salô, ou até mesmo o próprio Laranja Mecânica, não perca seu tempo com esse Funny Games U.S, são duas horas jogadas fora.
Luiz Gustavo Kiesow

